segunda-feira, março 02, 2015

Intenções...
Construo, destruo,
e fica só o nada.
O nada gritante,
o nada exasperante,
fitando de frente a minha indeterminação,
satírico.
Vejo-te, intermitente,
no espaço da imaginação
que se tenta apoderar da realidade
e do vazio.
Tentar desconstruir
para tentar construir -
mas está tudo coberto de medo,
tudo irreconhecível,
abstracto.
Já só quero avançar os ponteiros do relógio
até depois da ponte,
da travessia deste abismo emocional,
sem saber sequer se me esperam
do outro lado.
Não interessa.
Quero dormir esta sensação um pouco,
apagar as cócegas intensas
que me desgastam
e ferem.
O ego, com falta de oxigénio,
tenta vir à superfície
esbracejando loucamente
num mar negro de silêncio e de insónia.
Como é que eu vim ter aqui, pergunto-me.
(Tento racionalizar o facto de me sentir perdido.)
Mas não sei.
Foi tudo demasiado de repente,
como um acidente rodoviário
nas estradas do quotidiano,
nos percursos cartografados,
dos quais me despistei.
É oficial, morreu a dúvida
de que nasceu o amor.